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“O uso de preservativo em qualquer relação sexual é o meio mais eficiente de evitar a Aids, uma vez que a maioria dos casos da síndrome se deve à prática de sexo desprotegido”, destaca o texto encaminhado, ao público interno, pela Divisão de Assistência à Saúde (DIAS) do TCE/SC, para marcar a passagem do Dia Mundial de Luta contra a Aids, nesta quinta-feira, 1º de dezembro. O alerta — que numa leitura apressada pode parecer óbvio — permanece atual e mostra que a prevenção e a informação ainda são duas armas decisivas na luta contra a Aids, principalmente, diante de uma geração de jovens que não viveu o início deste movimento. Vale lembrar que o primeiro caso de Aids, registrado no Brasil, ocorreu em 1980, em São Paulo, segundo dados do Ministério da Saúde.
O material divulgado pela Divisão de Assistência à Saúde do Tribunal também traz informações sobre causas e sintomas, exames e diagnósticos e tratamentos disponíveis para enfrentar a síndrome (quadro 1).
Entre as ações que estão sendo desencadeadas no País, durante o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, está o lançamento, pelo Ministério da Saúde, da nova campanha nacional — "A Aids não tem preconceito. Previna-se" — na manhã desta quinta-feira. Voltada para jovens gays, a campanha foi lançada durante a 14ª Conferência Nacional de Saúde, no Auditório Master do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Na oportunidade foi realizada a cerimônia de obliteração dos selos que marcam os 30 anos de Aids no mundo — os primeiros casos nos EUA, Haiti e África Central, descobertos em 1977 e 78, foram definidos como Aids, em 1982, quando a nova síndrome foi classificada (quadro 2).
O lançamento da cartilha “Por toda a sua Vida”, produzida pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e pelo cartunista Ziraldo, também marca a programação. A publicação traz as formas de contágio e o meios mais eficientes para a prevenção da Aids e como proceder quando alguém é infectado pelo HIV.
Sem preconceito
A campanha nacional reforça a necessidade do debate sobre a Aids entre jovens gays, de 15 a 24 anos, das classes C,D, e E e entre pessoas que vivem com HIV/Aids. Segundo informa o site do Ministério da Saúde, a proposta é também investir na construção de uma sociedade mais solidária, sem preconceito e tolerante à diversidade sexual. “A ação busca discutir as questões relacionadas à vulnerabilidade ao HIV/Aids, na população prioritária, sob o ponto de vista do estigma e do preconceito. Além disso, a ideia é estimular a reflexão sobre a falsa impressão de que a Aids afeta apenas o outro, distante da percepção de que todos estamos vulneráveis”, destaca o Ministério da Saúde. Entre os públicos secundários da campanha estão profissionais de saúde, gestores, profissionais da área de educação e comunidade escolar.
Matéria publicada na Folha de São Paulo, na terça- feira (29/11), explica que a estratégia é avançar no uso das redes sociais para conquistar o apoio da sociedade civil organizada e atingir um público de difícil acesso em campanhas de prevenção. Outra ação do Governo Federal, anunciada pelo Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na matéria da Folha, será apostar em intervalos de programas jovens na televisão, shows e festas, como aconteceu no Rock in Rio, onde o Ministério instalou um estande para realizar testes rápidos. Outro alvo da campanha deste ano, segundo o jornal, são mulheres com idades entre 13 e 19 anos.
O foco da campanha é uma resposta aos dados apontados no Boletim Epidemiológico Aids/DST 2011, divulgado na segunda-feira (28/11), pelo Ministério da Saúde. O documento registra que a prevalência — estimativa de pessoas infectadas pelo HIV — da doença permanece estável em cerca de 0,6% da população, enquanto a incidência — novos casos notificados — teve leve redução de 18,8/100 mil habitantes em 2009 para 17,9/100 mil habitantes em 2010.
O Boletim Epidemiológico, por outro lado, destaca públicos específicos, que apresentam situações diversas e têm ampliado o número de casos. Nos últimos 12 anos, a porcentagem de casos na população de 15 a 24 anos caiu. Mas entre os gays da mesma faixa etária houve aumento de 10,1%. “No ano passado, para cada 16 homossexuais dessa faixa etária vivendo com Aids, havia 10 heterossexuais. Essa relação, em 1998, era de 12 para 10”, informa o site do Ministério da Saúde.
Com base nos dados do Boletim, o site do Ministério destaca que na população de 15 a 24 anos, entre 1980 e 2011, foram diagnosticados 66.698 casos de Aids. Foram registrados 38.045 casos em homens (57%) e 28.648 em mulheres (43%). O resultado equivale a 11% do total de casos de Aids notificados no Brasil desde o início da epidemia (quadro 3).
(Quadro 1) : A íntegra do texto encaminhado pela DIAS:
1º de Dezembro – DIA MUNDIAL DA LUTA CONTRA AIDS
A aids, ou síndrome da imunodeficiência adquirida, consiste em uma infecção que provoca a falência do sistema imunológico, ou seja, das defesas naturais, impedindo que o organismo combata adequadamente os agentes causadores de enfermidades. Dessa forma, o corpo humano fica sujeito a infecções e a tumores que não o afetariam numa situação de bom funcionamento da imunidade, razão pela qual, tais moléstias são chamadas de doenças oportunistas.
O Ministério da Saúde estima que, atualmente, haja 630 mil pessoas com a doença no Brasil. O primeiro caso foi identificado em 1980 e, desde então, muita coisa mudou no que diz respeito a esse novo mal do século. Diferentemente de 20 anos atrás, quando era associada a homossexuais e a usuários de drogas, hoje a aids atinge homens e mulheres indiscriminadamente e muitas crianças já nascem soropositivas, ou seja, com o vírus da imunodeficiência humana, o HIV.
Da mesma forma, receber esse diagnóstico deixou de ser uma sentença de morte. Apesar de ainda não haver cura para a síndrome, a aids caminha para ser uma doença crônica. Dados oficiais já apontaram um aumento de cinco anos na sobrevida dos doentes entre 1993 e 2003, particularmente graças aos avanços nos tratamentos. A tendência é melhorar – até porque as pesquisas não param nessa área.
Causas e Sintomas
Inicialmente, entre duas e seis semanas após a aquisição do vírus HIV, o indivíduo pode manifestar febre, dores musculares, aumento de gânglios – as chamadas ínguas – e dor de cabeça e de garganta, entre outros sintomas que representam um episódio agudo da infecção, comum a outras doenças causadas por agentes infecciosos.
Evidentemente, existe a possibilidade de essa fase passar despercebida pela pessoa infectada, até porque o quadro costuma se resolver de forma espontânea. Passado um longo período do contágio, de 2 a 20 anos, com média de dez anos, começam a surgir os sinais clínicos da falência imunológica, que variam muito e não são exclusivos da aids. Os mais comuns incluem diarréia crônica, febre persistente, transpiração excessiva, candidíase oral – o popular sapinho –, pneumonia, câncer de pele e emagrecimento exagerado.
A causa da aids é o vírus HIV, um retrovírus da família Retroviridae, que foi isolado pela primeira vez em 1983. Dois anos depois, descobriu-se também um segundo agente associado à síndrome e, desde então, ficou estabelecido que a aids decorre tanto da infecção pelo HIV-1 quanto pelo HIV-2, cada qual com vários subtipos.
Independentemente dessa classificação, só existem quatro formas de transmitir o vírus da aids: a sexual, por meio de relações anais, vaginais e orais; a intravenosa, sobretudo pelo compartilhamento de seringas; a perinatal, na qual a mãe transmite o vírus ao bebê na hora do parto; e, por fim, a transmissão por contato com sangue, seja em transfusões, seja em acidentes com material perfurocortante, aos quais os profissionais de saúde estão mais expostos.
É possível ainda adquirir a síndrome em transplantes, se o órgão vier de alguém que tinha o HIV na circulação, e em inseminações artificiais. Por outro lado, convém destacar que não se pega aids pelo contato casual com portadores da síndrome, como compartilhar utensílios domésticos, usar o mesmo banheiro, beijar e abraçar etc.
Exames e Diagnósticos
Na fase de falência imunológica, os sintomas costumam ser bastante sugestivos da aids, mas não na fase aguda da síndrome. De qualquer forma, o diagnóstico não prescinde de exames de sangue específicos para detectar, no sangue do indivíduo, anticorpos contra o vírus HIV.
Geralmente são feitos dois testes, cada qual com uma metodologia distinta, para confirmar o resultado positivo. Vale lembrar que, na aids, o período de janela imunológica – tempo que o organismo leva para produzir anticorpos após o contato com um agente infeccioso – deve ser levado em conta na investigação. Se o exame for feito nesse período, que, no caso do HIV, pode variar de 2 a 12 semanas, existe o risco de haver resultados falso-negativos e, portanto, a necessidade de repetição dos testes em período determinado pelo médico.
Tratamento e Prevenções
Os tratamentos disponíveis ainda não conseguem eliminar o HIV, mas controlam a carga viral existente no indivíduo infectado e aumentam o número de células de defesa do organismo – denominadas CD4 e CD8 –, interferindo na progressão da síndrome e dando menos chance às infecções oportunistas. Para tanto, usam-se combinações dos chamados medicamentos anti-retrovirais, que agem nos mecanismos de multiplicação do HIV.
Os inibidores de uma enzima chamada transcriptase reversa impedem que o vírus se integre com a célula humana e, assim, gere novas cópias. Já os inibidores da protease levam o HIV a produzir cópias defeituosas de si mesmo, que, uma vez com defeito, não conseguem se replicar.
Durante a terapêutica, o indivíduo precisa fazer testes periódicos para a contagem do vírus e das células de defesa, de modo que o médico possa medir o efeito dos remédios e, eventualmente, modificar a conduta. O tratamento ainda inclui estratégias diversas para prevenir infecções oportunistas, com vacinas, medicamentos e cuidados gerais.
O uso de preservativo em qualquer relação sexual é o meio mais eficiente de evitar a aids, uma vez que a maioria dos casos da síndrome se deve à prática de sexo desprotegido. Reduzir outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis e gonorréia, também constitui uma medida relevante, uma vez que essas moléstias quebram as defesas naturais que a região genital possui, favorecendo a contaminação com o HIV.
Para usuários de drogas injetáveis, a recomendação é não compartilhar seringas de forma nenhuma, idealmente acompanhada da busca de ajuda para tratar a dependência química. Gestantes com aids podem reduzir em muito a chance de passar o vírus para seus bebês com um pré-natal adequado e a adesão, durante a gravidez, a um tratamento com anti-retrovirais, devendo ainda seguir os cuidados recomendados pela equipe médica antes e depois do nascimento da criança.
Fonte: Assessoria Médica Fleury
(Quadro 2) : Fatos que marcam a história da Aids – de 1977-90
1990
O cantor e compositor Cazuza morre, aos 32 anos, em decorrência da aids.
1989
Morre de aids o ator da TV Globo Lauro Corona, aos 32 anos.
Ativistas forçam o fabricante do AZT, Burroughs Wellcome, a reduzir em 20% o preço do remédio.
Durante Congresso de Caracas, na Venezuela, profissionais da saúde definem novo critério para a classificação de casos de aids.
Brasil registra 6.295 casos de aids.
1988
No Brasil, uma portaria assinada pelo ministro da Saúde, Leonardo Santos Simão, passa a adotar o dia 1º de dezembro como o Dia Mundial de Luta contra a Aids.
Morre o cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, aos 43 anos, em decorrência da aids.
Criação do Sistema Único de Saúde.
O Ministério da Saúde inicia o fornecimento de medicamentos para tratamento das infecções oportunistas.
Primeiro caso diagnosticado na população indígena.
Os casos notificados no Brasil somam 4.535.
1987
Criação do Primeiro Centro de Orientação Sorológica (COAS), em Porto Alegre (RS).
Questiona-se a definição de comportamentos sexuais tidos como anormais.
Início da utilização do AZT, medicamento para pacientes com câncer e o primeiro que reduz a multiplicação do HIV.
Os ministérios da Saúde e do Trabalho incluem as DST/aids na Semana Interna de Prevenção de Acidentes no Trabalho e Saúde.
A Assembleia Mundial de Saúde, com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU), decide transformar o dia 1º de dezembro em Dia Mundial de Luta contra a Aids, para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão em relação às pessoas infectadas pelo HIV. A escolha dessa data seguiu critérios próprios das Nações Unidas.
Os casos notificados no Brasil chegam a 2.775.
1986
Criação do Programa Nacional de DST e Aids, pelo ministro da Saúde Roberto Santos.
1985
Fundação do Grupo de Apoio à Prevenção à Aids (GAPA), primeira ONG do Brasil e da América Latina na luta contra a aids.
Diferentes estudos buscam meio diagnóstico para a possível origem viral da aids.
O primeiro teste anti-HIV é disponibilizado para diagnóstico.
Caracterização dos comportamentos de risco no lugar de grupo de risco.
Descoberta que a aids é a fase final da doença, causada por um retrovírus, agora denominado HIV (Human Immunodeficiency Virus, em inglês), ou vírus da imunodeficiência humana.
Primeiro caso de transmissão vertical (da mãe grávida para o bebê).
1984
A equipe de Luc Montagnier, do Instituto Pasteur, na França, isola e caracteriza um retrovírus (vírus mutante que se transforma conforme o meio em que vive) como o causador da aids.
Início da disputa, entre os grupos do médico americano Robert Gallo e do francês Luc Montagnier, pela primazia da descoberta do HIV.
Estruturação do primeiro programa de controle da aids no Brasil, o Programa da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.
1983
Primeira notificação de caso de aids em criança.
Relato de caso de possível transmissão heterossexual.
Homossexuais usuários de drogas são considerados os difusores do fator para os heterossexuais usuários de drogas.
Relato de casos em profissionais de saúde.
Primeiras críticas ao termo grupos de risco (grupos mais vulneráveis à infecção).
Gays e haitianos são considerados principais vítimas.
Possível semelhança com o vírus da hepatite B.
Focaliza-se a origem viral da aids.
No Brasil, primeiro caso de aids no sexo feminino.
1982
Adoção temporária do nome Doença dos 5 H, representando os homossexuais, hemofílicos, haitianos, heroinômanos (usuários de heroína injetável) e hookers (nome em inglês dado às profissionais do sexo).
Conhecimento do fator de possível transmissão por contato sexual, uso de drogas ou exposição a sangue e derivados.
Primeiro caso decorrente de transfusão sanguínea .
Primeiro caso diagnosticado no Brasil, em São Paulo.
1981
Primeiras preocupações das autoridades de saúde pública nos EUA com uma nova e misteriosa doença.
1980
Primeiro caso no Brasil, em São Paulo, também só classificado em 1982.
1977 e 1978
Primeiros casos nos EUA, Haiti e África Central, descobertos e definidos como aids, em 1982, quando se classificou a nova síndrome.
Fonte: Site do Ministério da Saúde ( http://www.aids.gov.br/pagina/historia-da-aids )
(Quadro 3) Para outras informações sobre o combate a Aids:
Para consultar os dados do Boletim Epidemiológico Aids/DST 2011, acesse o seguinte endereço: http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/arquivos/pdf/2011/Nov/28/COLETIVA_AIDS_FINAL_28.11.11.pdf
Para conferir o vídeo da Campanha Nacional, saber mais sobre o Dia Mundial de Luta Contra a Aids e obter informações sobre prevenção, acesse o Portal do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais no seguinte endereço: http://www.aids.gov.br/
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