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TCE/SC inicia intervenções para preservar estrutura da histórica Escola Lauro Müller

qua, 21/10/2026 - 09:00
Resumo em linguagem simples

O TCE/SC iniciou os primeiros trabalhos de conservação da antiga Escola Lauro Müller, em Florianópolis, para conter infiltrações e evitar o avanço da deterioração do prédio histórico. As ações incluem reparos na cobertura, limpeza de calhas, retirada de vegetação e reforço da vigilância. A medida atende à responsabilidade assumida pelo Tribunal após receber o imóvel do Estado. Após a restauração, o espaço deverá abrigar a Escola de Contas do TCE/SC e atividades voltadas à capacitação e à cidadania.

Banner horizontal, com foto do telhado da Escola Lauro Muller. Um trabalhador conserta as telhas. No canto inferior direito, em branco, a logomarca do TCE/SC 70 anos.

O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) iniciou os primeiros trabalhos de conservação da Escola Lauro Müller, no Centro de Florianópolis. As intervenções iniciais têm como objetivo imediato proteger a estrutura e impedir que a entrada de água da chuva continue provocando infiltrações e acelerando o processo de deterioração do imóvel histórico. 

Nesta primeira etapa, a atenção está voltada principalmente à cobertura e aos pontos de entrada de água. O diagnóstico realizado no imóvel identificou telhas deslocadas, ripamentos deteriorados, calhas obstruídas, infiltrações, manchas e deterioração de forros, assoalhos, e entre outros elementos de madeira. Também foram verificadas interferências provocadas pela vegetação. 

Entre as necessidades de intervenção imediata identificadas, estão a limpeza e a desobstrução de calhas e condutores e reparos na cobertura, incluindo telhas, ripamentos, beirais e pontos de entrada de água, além da estruturação de um posto de vigilância com videomonitoramento.  

Os trabalhos representam uma primeira etapa de um processo mais amplo de preservação do conjunto. Antes das futuras obras de restauração e revitalização, é necessário conter os fatores que vêm contribuindo para a degradação do imóvel, especialmente as infiltrações decorrentes da chuva. 

A realização das intervenções também concretiza uma das responsabilidades assumidas pelo TCE/SC ao receber o imóvel. Conforme o decreto que formalizou a transferência, cabem ao Tribunal a guarda, a conservação e a manutenção do prédio. 

Foto horizontal do presidente e do vice-presidente do TCE/SC, conselheiros Herneus De Nadal e José Nei Ascari, respectivamente. Eles caminham pela parte externa do prédio da Escola Básica Lauro Muller. Para o presidente do TCE/SC, conselheiro Herneus De Nadal, a preservação da antiga escola está associada à oportunidade de devolver ao prédio uma finalidade pública ligada à educação e ao aperfeiçoamento da gestão. Na solenidade que formalizou a transferência do imóvel ao Tribunal, em 22 de julho, ele destacou a possibilidade de conciliar a preservação de um patrimônio histórico com uma nova utilização voltada ao interesse público, à produção e à disseminação do conhecimento, à transparência e ao fortalecimento do controle preventivo.  

“Queremos qualificar os gestores para fazer mais com menos, evitar o erro antes que ele ocorra e melhorar as entregas à população em todo o Estado”, afirmou o presidente naquela oportunidade. 

Primeiros cuidados com o prédio 

Os trabalhos agora iniciados foram definidos a partir da avaliação das condições de conservação do imóvel. Além dos problemas relacionados à entrada de água, o levantamento apontou outras questões que precisam ser consideradas durante o processo de preservação. 

A contratação dos primeiros reparos já vinha sendo preparada pelo Tribunal. No âmbito da comissão criada para tratar dos assuntos relacionados à Escola Lauro Müller, foi registrada a contratação de empresa especializada para a execução de pequenas intervenções de manutenção predial, visando restabelecer a estanqueidade da cobertura e promover a conservação física das superfícies.  

Foto horizontal do interior do prédio da Escola. O ambiente está  bastante degrado pelo tempo. Portas e janelas quebradas e paredes com infiltração. As ações precisam considerar as características históricas do conjunto e as regras de proteção do patrimônio. Parecer técnico do Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural do Município (Sephan) estabelece, entre outros pontos, parâmetros para pequenos reparos no ripamento e no madeiramento e para a retirada de vegetação que tenha atingido as estruturas das edificações. 

O TCE/SC também vem mantendo diálogo com o Sephan sobre as diretrizes técnicas e legais necessárias para a revitalização do conjunto e para a definição das futuras intervenções. 

Dessa forma, o trabalho iniciado agora não corresponde ainda à restauração definitiva da escola. Trata-se de uma etapa de conservação necessária para proteger o patrimônio e criar melhores condições para as fases seguintes, que envolvem estudos e projetos específicos para a restauração e adaptação do prédio. O planejamento dessas etapas deve observar as exigências legais relacionadas ao patrimônio cultural. 

Mais de um século dedicado à educação 

A Escola Lauro Müller faz parte da história de Florianópolis. A edificação original é de 1912, e o conjunto foi ampliado em diferentes períodos. O prédio original foi tombado pelo Município em 1986. As atividades escolares no local foram encerradas em 2019. 

Em 2026, a administração do imóvel foi transferida pelo Governo do Estado ao TCE/SC. A formalização ocorreu em 22 de julho, em solenidade na sede do Tribunal, quando o governador Jorginho Mello assinou o decreto de transferência. 

Antes mesmo da formalização, o Tribunal já havia realizado estudos técnicos preliminares para avaliar as condições estruturais e de conservação da antiga escola. Também foram analisadas as características construtivas, as restrições relacionadas ao tombamento e as possibilidades de utilização institucional do espaço. Esses levantamentos deverão subsidiar o planejamento das futuras intervenções. 

Na ocasião da transferência, o presidente Herneus De Nadal ressaltou que a iniciativa representa um compromisso com a preservação da memória catarinense e com o fortalecimento da educação como instrumento de transformação da Administração Pública. 

A intenção do TCE/SC é justamente permitir que o imóvel tenha um novo ciclo de utilização sem perder a relação histórica com a educação. 

De escola para escola 

Após a restauração, a antiga Escola Lauro Müller deverá abrigar a Escola de Contas do TCE/SC, sob responsabilidade do Instituto de Contas (Icon), ampliando a estrutura destinada à capacitação de gestores e servidores públicos. O planejamento também prevê que o local seja destinado a ações voltadas aos cidadãos e possa receber um espaço cultural para projetos e eventos abertos à sociedade. 

A nova utilização permitirá, assim, preservar uma característica que acompanha o imóvel desde sua origem: sua vocação para a educação. A diferença é que o conhecimento produzido e compartilhado no espaço estará direcionado principalmente ao aperfeiçoamento da Administração Pública, à formação dos agentes públicos e a atividades destinadas à cidadania. 

Essa perspectiva também foi destacada pelo presidente  Herneus De Nadal ao formalizar a transferência da escola. Segundo ele, a destinação do imóvel para a Escola de Contas reforça a importância da qualificação permanente dos agentes públicos para aprimorar a gestão, a governança e os serviços prestados à população. 

“Trata-se de um investimento institucional que contribuirá para uma Administração Pública cada vez mais eficiente, íntegra e comprometida com os interesses da sociedade catarinense”, enfatizou. 

O início das intervenções de conservação dá agora um passo concreto nessa direção. A prioridade é proteger o prédio, reduzir os efeitos das infiltrações e impedir o avanço da deterioração enquanto o Tribunal desenvolve as próximas etapas necessárias à restauração e à futura ocupação do espaço. 

Mais de um século depois de receber seus primeiros estudantes, a Escola Lauro Müller começa, assim, a ser preparada para um novo ciclo, preservando sua história e mantendo a educação como elemento central de sua destinação. 

 

Crédito das fotos: Caio Cezar (Acom - TCE/SC)

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