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TCE/SC finaliza auditoria sobre violência contra a mulher e faz recomendações e determinações a órgãos e instituições ligados ao tema

seg, 26/10/2026 - 13:07
Resumo em linguagem simples

Auditoria do TCE/SC avaliou as políticas de enfrentamento à violência contra a mulher em Santa Catarina e emitiu 9 determinações e 17 recomendações a órgãos estaduais e instituições parceiras. As medidas incluem a criação do Plano Estadual de Políticas para as Mulheres, ampliação de casas abrigo, fortalecimento da rede de atendimento, divulgação de dados sobre violência, ações educacionais, reserva de vagas de emprego para vítimas, qualificação dos serviços de segurança, saúde e assistência social, além da implantação de programas de reeducação de agressores e monitoramento permanente das ações adotadas.

Imagem com fundo preto onde há uma mulher. Ela está com a mão aberta na frente de parte de seu rosto. À direita, no canto inferior, está escrito "violência contra a mulher"

Auditoria do Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) envolvendo a verificação do aparato estatal para o enfrentamento da violência de gênero no Estado fez 17 recomendações e 9 determinações a órgãos do governo estadual, Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Defensoria Pública Estadual (DPE) e entidades ligadas ao tema. A decisão (RLA 22/00495301), pulicada na edição desta quarta-feira (14/10) do Diário Oficial Eletrônico (DOTC-e), é resultado de acompanhamento feito pela Diretoria de Atividades Especiais (DAE) do TCE/SC desde 2019.

A decisão do relator, conselheiro e corregedor-geral, Adircélio de Moraes Ferreira Júnior, ainda determina que a DAE acompanhe o cumprimento das deliberações e que seja autuado um processo específico de monitoramento.

Confira as determinações e recomendações a cada órgão.

Determinações 
Governo do Estado 

- Elaborar e implementar, em conjunto com a Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família (SAS) e com o Conselho Estadual dos Direitos da Mulher de Santa Catarina (Cedim), o Plano Estadual de Políticas Públicas para as Mulheres, com a definição de objetivos, ações, metas, orçamento específico, instrumentos de monitoramento e avaliação, objetivando promover a igualdade de gênero e a autonomia econômica e financeira, o enfrentamento aos preconceitos, o fortalecimento institucional, a participação social, a universalização das políticas e a eliminação de todas as formas de violência contra as mulheres. 

Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família 

- Instalar Centros de Apoio (Casas Abrigo), prioritariamente nas cidades-polo, que deverão oferecer abrigo, alimentação, assistência social, jurídica, psicológica e médica às mulheres em situação de violência e a seus filhos menores de 14 anos; 

- Prestar, prioritariamente nas cidades-polo, serviços complementares de orientação, apoio e assessoria às mulheres em situação de violência, sem utilização de abrigo; 

- Implementar as ações definidas no Regime Especial de Atendimento, mediantereserva de até 20% das vagas anuais em cursos de capacitação e de qualificação profissional sob sua administração ou oferecidos por instituições de treinamento conveniadas, destinação de até 20% dos encaminhamentos mensais às vagas de empregos formais oferecidas pelas empresas, e prestação de assistência, direta ou por meio de convênios, à constituição de micronegócios formais destinados à geração de renda e de emprego. 

Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) 

- Publicar, semestralmente, e disponibilizar para consulta os dados sobre violência praticada contra a mulher em Santa Catarina, com as seguintes informações: número de ocorrências registradas pelas Polícias Civil e Militar, por tipo de delito; número de inquéritos policiais instaurados pela Polícia Civil, por tipo de delito; e número de inquéritos policiais encaminhados ao Ministério Público e ao Poder Judiciário; 

-  Disponibilizar assistência psicológica e jurídica à mulher vítima de violência nas Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMIs).

Secretaria de Estado da Administração (SEA) 

- Implementar a reserva de vagas para mulheres em situação de vulnerabilidade econômica decorrente de violência doméstica e familiar nos editais de licitação que visem à contratação de empresas para a prestação de serviços continuados e terceirizados, no âmbito da administração pública estadual direta, autárquica e fundacional.

Secretaria de Estado da Educação (SED) 

- Inserir, como tema transversal, a prevenção de todas as formas de violência contra a mulher nos currículos do ensino infantil, fundamental e médio, em observância às diretrizes fundamentais e com a distribuição de material didático de acordo com cada nível de ensino; 

- Realizar a Semana Escolar de Combate à Violência contra a Mulher, anualmente no mês de março, em todas as instituições públicas estaduais de ensino da educação básica.

Comitê Gestor do Observatório da Violência contra a Mulher (OVM) 

- Analisar os dados sobre atos de violência praticados contra a mulher no Estado, a fim de produzir conhecimento, publicizar indicadores, estatísticas e mapas e elaborar materiais destinados à divulgação de informações sobre esse fenômeno, com o objetivo de contribuir para a formulação de políticas públicas.

Recomendações 
Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família 

- Disponibilizar servidores à Gerência de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos (GEMDH), ou a outra unidade que venha a substitui-la, a fim de dar cumprimento às políticas, aos programas, aos projetos e às ações voltados às mulheres vítimas de violência que sejam de sua responsabilidade e implantar, gradativamente, os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) regionais nas oito macrorregiões de Santa Catarina.

Secretaria de Segurança Pública 

- Ampliar, gradativamente, o Programa Protetores do Lar da Polícia Militar, com o objetivo de promover a conscientização e a prevenção dos atos de violência contra a mulher em ambiente familiar e de alcançar todas as escolas públicas e privadas do Estado; 

- Disponibilizar, aos setores de investigação das DPCAMIs, computadores com capacidade para extrair e para analisar o conteúdo de celulares apreendidos, além de novas viaturas; 

- Garantir o atendimento às mulheres em situação de violência, mediante a ampliação e o fortalecimento dos serviços especializados, bem como com a qualificação, o fortalecimento e a integração dos serviços da rede de atendimento, a fim de ampliar a capilaridade da oferta de atendimento e garantir o acesso a todas as mulheres; 

- Estruturar as DPCAMIs para que ofereçam às mulheres vítimas de violência doméstica salas de espera exclusivas, atendimento em sala separada, espaço lúdico para crianças e equipamentos para a tomada de depoimentos por vídeo ou outro meio eletrônico; 

- Reduzir, progressivamente, o tempo médio de conclusão (entre instauração e remessa ao Judiciário) do inquérito policial de crimes classificados como violência doméstica ou familiar contra a mulher; 

- Ampliar, gradativamente, o Programa Rede Catarina de Proteção à Mulher, de modo a estender sua cobertura a todos os municípios do Estado e ampliar a taxa de atendimento às mulheres com medidas protetivas concedidas nos municípios em que tal programa já esteja implantado; 

- Aprimorar o atendimento nas unidades do Instituto Médico-Legal por meio das seguintes medidas: saneamento das interdições; ampliação do horário de atendimento externo; e estrutura adequada ao atendimento de mulheres vítimas de violência. 

Secretaria de Estado da Saúde 

- Implementar o "Projeto de Prevenção da Violência Doméstica com a Estratégia de Saúde da Família", voltado à proteção das crianças e adolescentes, dos idosos e das mulheres em situação de violência, por meio da atuação preventiva dos agentes comunitários de saúde atuantes em Santa Catarina; 

- Firmar Protocolo de Atenção Integral às Pessoas em Situação de Violência Sexual (Raivs) nas 16 regiões de saúde do Estado, nos moldes do protocolo existente para a cidade de Florianópolis. 

Defensoria Pública do Estado 

- Garantir o atendimento às mulheres em situação de violência, mediante a ampliação e o fortalecimento dos serviços especializados, bem como a qualificação, o fortalecimento e integração dos serviços da rede de atendimento, a fim de ampliar a capilaridade da oferta e a garantir o acesso a todas as mulheres; 

- Disponibilizar, para inclusão no Observatório da Violência contra a Mulher, dados mensais sobre a atuação da Defensoria Pública em cada um dos seus núcleos no atendimento às mulheres em situação de violência, com o detalhamento do número de orientações jurídicas, de ações ajuizadas (alimentos, divórcio, dissolução de união estável, guarda, entre outros) e de pedidos de medidas protetivas. 

Ministério Público de Santa Catarina 

- Garantir o atendimento às mulheres em situação de violência, mediante a ampliação e o fortalecimento dos serviços especializados, bem como a qualificação, o fortalecimento e a integração dos serviços da rede, a fim de ampliar a capilaridade da oferta e a garantir o acesso a todas as mulheres; 

- Instituir e implementar, gradativamente, em todas as comarcas do Poder Judiciário de Santa Catarina, programas voltados à recuperação e à reeducação dos autores de violência doméstica e familiar contra a mulher (grupos reflexivos), por meio da atuação conjunta do Ministério Público e do Tribunal de Justiça. 

Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid/TJSC) 

- Instituir e implementar, gradativamente, em todas as comarcas do Poder Judiciário do Estado de Santa Catarina, programas voltados à recuperação e à reeducação dos autores de violência doméstica e familiar contra a mulher (grupos reflexivos), por meio da atuação conjunta do Ministério Público e do Tribunal de Justiça. 

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