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Diário do Ciclo

sex, 20/07/2012 - 14:45
Diário do Ciclo

Por Rogério Felisbino da Silva

A segunda semana do Ciclo de Estudos, que contemplou as etapas das cidades de São Miguel do Oeste, Chapecó e Concórdia, foi extremamente intensa. Tão intensa, que nem deu para escrever o Diário do Ciclo da forma como sugere o nome: diariamente! Só agora tentaremos relatar os bastidores desta aventura pelo grande Oeste.

A semana começou cedo! Diferente da anterior, pelo Sul, os técnicos do TCE/SC tiveram que sair de Florianópolis já na segunda-feira (9/7) pela manhã cedinho — ou no domingo (8/7), no caso do pessoal do Icon —, para enfrentar 12 horas de estrada. Afinal, 664 quilômetros separam a ilha de Santa Catarina da quase fronteira com a Argentina, onde se localiza a simpática São Miguel do Oeste, pequena cidade de aproximadamente 35 mil habitantes, mas com uma estrutura de dar inveja a muita cidade de porte médio.

A saída da Capital se deu com uma pontualidade quase britânica. Programado para sair às 7h30, o ônibus partiu cinco minutos depois. Motivo? Sempre tem alguém que chega atrasado! Não houve contratempos para deixar a cidade, afinal estávamos no contrafluxo do grande engarrafamento de todas as manhãs, quando parece que meio mundo resolve entrar na Ilha, entupindo a Via-Expressa, desde a BR-101, no Shopping Itaguaçu, até a cabeceira insular da ponte Pedro Ivo.

Mas, enquanto o ônibus deixava Florianópolis para trás, observando o congestionamento da pista contrária, sob a luz de um sol brilhante que amenizava o friozinho da manhã, pensávamos sobre as condições climáticas que iríamos enfrentar serra acima. O termômetro, no interior do ônibus, informava que a temperatura externa estava em 14°C. Saindo da 101 e entrando na 282, logo depois de Santo Amaro da Imperatriz, o reloginho já marcava 13°C. Não passou muito tempo, começamos a subir a Serra e o digital baixou mais um grau, e assim ficou brincando, ora pra baixo (11°C), ora pra cima (12°C), até próximo à Bom Retiro, quando de repente despencou para 7°C. O pit-stop no posto da Janaína (tradicional ponto de parada dos viajantes) foi sob uma névoa, que deixava o dia cinzento e dava uma sensação de frio maior do que os reais 8°C então vigentes. Mas foi só isso. A partir dali, planalto adentro, a temperatura se comportou para níveis, digamos, civilizados, e chegamos a São Miguel do Oeste, já de noite, apenas com uma aragem de frio, diferente da equipe do Icon que, na véspera, entrou na cidade como se entrasse num frigorífico, como reclamou o Helinho, da Acom.

São Miguel do Oeste

Na primeira janta em terras miguel-oestinas, poucos se dispuseram a sair do hotel. Também pudera. Depois de 12 horas assentados numa poltrona que só é confortável nas primeiras duas, não há quem resista ao convite de um bom e velho amigo: o colchão.

No dia seguinte (10/7), devidamente restabelecida, a comitiva dirigiu-se à Unoesc, a bordo do ônibus que é grande demais para as rótulas e cruzamentos da planejada cidade. Apesar da demora do ônibus em fazer as manobras, não chegamos atrasados à universidade. Quer dizer, depende do ponto de vista! Para os técnicos que iriam fazer as palestras, chegamos em bom tempo. Para mim, chegamos tarde, pois já estavam me aguardando, nada mais nada menos que quatro repórteres da imprensa: dois jornais e duas rádios. E um deles ainda iria entrar no ar com um boletim ao vivo em três minutos. Ainda estava organizando o material, para poder atendê-los, quando chega mais um jornalista. E todos queriam uma entrevista com o conselheiro Herneus De Nadal — que é muito conhecido na região —, pois já sabiam que o mesmo ali estaria, embora ainda não tivesse chegado.

No meio do tumulto, das pessoas fazendo inscrição, das perguntas dos próprios repórteres, era preciso procurar alguém para ser entrevistado para o boletim ao vivo, ir atrás de outro técnico para atender à repórter do jornal, procurar um terceiro para a outra rádio...

Nesse ínterim, o conselheiro Herneus De Nadal chegou à universidade e todos os repórteres perceberam. Antes mesmo que acontecesse um ataque de ninja dos repórteres sobre o conselheiro, procurei antecipar-me e chamei-o para explicar sobre a presença da imprensa e convidá-lo a dar a entrevista. Com a maior boa vontade e disposição, o conselheiro Herneus atendeu a todos através de uma coletiva.

Passada a correria das primeiras horas, após os participantes já estarem devidamente instalados, acompanhamos o conselheiro e a diretora do Icon, Joseane Correa, em cada sala, para as palavras de boas-vindas. Numa sala, em específico, um momento emocionante. Entre os participantes, uma servidora da cidade de Caibi reconhecida pelo conselheiro Nadal, que narrou em breves palavras sua história. Há uns anos, quando grávida de seu primeiro filho, aquela moça descobriu possuir um câncer que lhe tomava o braço. Não era possível fazer quimioterapia, em virtude da gravidez. A opção era provocar o aborto para poder fazer o tratamento ou amputar o braço. A jovem optou pela criança e teve seu braço amputado. Aplausos a ela se seguiram e emocionados deixamos a sala, com este belo exemplo de respeito à vida!

Terminada a peregrinação por todas as salas, já estávamos perto do almoço. Apesar de a cidade ser pequena e as distâncias curtas, o translado da universidade até o restaurante foi demorado, pois o ônibus segue lento pelas quadras e esquinas.

O período da tarde seguiu um pouco mais tranquilo, mas ainda apareceram novas entrevistas. Fui fazer a matéria do Ciclo para enviar para a Acom e a intenção era escrever, em seguida, este Diário. Qual não foi minha surpresa ao olhar para o relógio e já eram 17 horas e o ônibus estava prestes a sair. Como gato escaldado tem medo de água fria, para me precaver de situações ocorridas no ano passado — quando, não fosse o carro do Icon, eu teria ficado a ver navios em pleno Planalto —, procurei deixar para fazer o Diário mais tarde no hotel, em Chapecó, e corri para o ônibus. Afinal não queria ser o protagonista de “Esqueceram de mim 2”.

Saímos de São Miguel em torno de 18 horas e chegamos ao nosso novo destino duas horas depois, tempo suficiente para assistir a um filminho para descontrair. Quem levou o DVD foi o auditor Luiz Cláudio Viana, da DMU, que todos desconfiam ser sócio de alguma locadora, dada a quantidade de filmes e musicais que ele tinha na mala. O filme foi “O Ilusionista”. No meio do filme, uma pane travou o DVD. A Joseane, que já tinha visto, é que contou o final.

Chapecó

Chegamos a Chapecó sob forte temporal. E a temperatura já começou a se engraçar, em torno dos 10°C. Foi por causa do frio e com a justificativa de fazer o Diário que resolvi não acompanhar os técnicos na saída para a janta, preferindo ficar no hotel. Comecei a escrever o texto, mas o cansaço me chamou para a cama. Capotei.

No outro dia (11/7), a jornada começou novamente às seis e meia da manhã. Não posso reclamar, afinal, não fui só eu que precisou levantar cedo no frio.  Seguimos para a Unochapecó. O bloco onde ficamos parecia um hangar onde se estacionam aviões, aberto pelos dois lados e criando um corredor enorme ao centro, por onde encanava um vento gelado que arrepiava até pinguim! Engraçado que foi nesse ambiente gélido que resolveram fazer os coffee breaks. O café quentinho que saía da garrafa esfriava rapidamente! Mas tudo bem, o frio tem suas vantagens, pois é a passarela da moda para desfilar casacos, cachecóis e sobretudos, extremamente elegantes, como os da Estelamaris, do Icon, bem no estilo global, “Cheia de Charme!”

Nova sabatina de entrevistas com os técnicos e o conselheiro, inclusive, uma ao vivo no Jornal do Almoço, da RBS, no outro lado da cidade. Em virtude dessas idas e vindas, novamente só consegui tempo para escrever a matéria oficial no meio da tarde e, de novo, o Diário teve que ser sacrificado. Afinal, repete-se a rotina: acaba a etapa, embarca-se no ônibus e segue-se para a próxima cidade, agora, no caso, Concórdia, onde chegamos por volta das 20 horas. No trajeto entre as cidades, outra sessão de cinema. Desta vez, “Efeito borboleta”.

Concórdia

Chegando em Concórdia, de novo o tempo resolveu aprontar, retirando mais alguns graus do já gelado dia que tínhamos passado. Para aquecer, nada melhor que uma boa sopa, numa pequena e aconchegante cantina defronte ao hotel. Não esperávamos, no entanto, que fosse uma sopa tão bem servida, afinal, uma única porção alimentou três bocas. O auditor Sandro de Luca, da DIN, que fez o pedido, não conseguiu dar conta da sopeira que lhe colocaram à frente. Como eu cheguei logo depois e também iria pedir sopa, ele me ofereceu a sua. Em seguida apareceu a Joseane e a cena se repetiu, para a gozação dos demais técnicos à mesa. Quem não gostou muito foi o garçom. É o que deduzo a partir da cara que ele fez quando eu e, depois, a Joseane, lhe pedimos apenas o prato.

No dia seguinte (12/7), seguimos para a UnC. Das três universidades desta etapa, esta é a mais distante do centro da cidade e fica num morro acessado por uma estrada com curvas parecidas com as do morro da Lagoa da Conceição. Imaginem a sensação de estar dentro de um ônibus daquele tamanho, fazendo volta de quase 180°, ladeira acima! E depois, na volta, ladeira abaixo! Se o clima na cidade já estava frio, o que dizer no alto do morro, no meio do mato! Pois é, a Universidade fica literalmente numa área isolada, rodeada de verde. Mas, pelo menos, fomos prevenidos, pois o Adelqui, do Icon, o maior conhecedor da região Oeste do Estado, já havia alertado que lá em cima estaria frio.

O almoço, neste dia, foi num centro de eventos próximo a UnC. Todos os participantes do Ciclo também almoçaram lá. Quando nossa equipe do TCE/SC chegou, a própria coordenação local do evento tomou algumas providências que nos deixou numa situação um tanto quanto constrangedora, pois nos fez literalmente furar a fila, passando na frente dos outros 200 que se enfileiravam por dezenas de metros. Sentimo-nos verdadeiros caras de pau! Mas enfim, “eufemisticamente” falando, foi uma “agilização do almoço”!

Retornamos para a universidade. Era a última tarde de palestras, mesmo assim, na sala de apoio, ainda tinha técnicos na frente de notebooks dando uma última conferida ou fazendo ajustes na apresentação. E à medida que o dia se aproximava do fim, o termômetro ia baixando ainda mais. Às 18 horas, quando retornamos ao hotel, já beirava os 4°C. Novamente, sob justificativa de fazer o Diário, não acompanhei o pessoal na janta.

A sexta-feira (13/7) amanheceu gelada em Concórdia. Na saída do hotel, quando entramos no ônibus, não sabíamos onde estava mais frio, se dentro ou fora do veículo. O termômetro, que registra a temperatura interna e externa, informava 5°C nas duas situações. Foi só no caminho que o ambiente interno foi ficando mais aquecido.

Após a parada em Lages para o almoço, nossa comitiva chegou à Ilha da Magia, recepcionada por um sol acolhedor e um “calor” maravilhoso de 17° C, e preparada para, nas próximas etapas, enfrentar novos desafios e vivenciar novos casos e ocasos nesta vida de auditar e orientar!

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