O TCE/SC enviou questionário aos 295 municípios catarinenses para mapear políticas de agroecologia. São 95 perguntas em 10 eixos, como regulamentação, produção e consumo. O objetivo é verificar a existência de leis municipais, aplicação de recursos do PNAE na agricultura familiar (mínimo de 30%, com meta de 45%) e ações ligadas à segurança alimentar. A iniciativa integra recomendações de 2024 e conecta-se aos ODS 2, 11 e 12 da ONU, visando sustentabilidade, combate à fome e fortalecimento de sistemas locais.
O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) enviou, na última quinta-feira (5/2), para todos os 295 municípios catarinenses, um questionário com o objetivo de diagnosticar o cenário e as políticas públicas realizadas pelas prefeituras para promover aspectos da agroecologia. Todos os controladores internos municipais receberam ofício circular com as informações do questionário. O prazo para envio das respostas é 24 de fevereiro.
São 95 questões divididas em 10 eixos: regulamentação; produção; uso e conservação de recursos naturais; conhecimento; comercialização e consumo; terra e território; sociobiodiversidade; soberania alimentar; aquisição de gêneros para alimentação escolar; e gestão e desempenho.
O TCE/SC pretende identificar, entre outros pontos, a existência de leis municipais instituindo a Política Municipal de Agroecologia e Produção Orgânica (PMAPO) e a Política de Segurança Alimentar e Nutricional e se o município aplica o percentual mínimo de 30% dos recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) na agricultura familiar e se há perspectivas para que o município consiga atingir o novo percentual mínimo de 45% dos recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) destinados à agricultura familiar
Em novembro de 2024, o TCE/SC recomendou aos municípios que implementassem a PMAPO com o objetivo de incentivar políticas públicas, programas e ações que induzam a transição agroecológica e a produção orgânica e de base agroecológica. A decisão da relatora temática da Agroecologia, conselheira substituta Sabrina Nunes Iocken, à época, também orientou que os municípios efetuassem um levantamento de dados e realizassem diagnósticos periódicos da produção agroecológica e orgânica, a fim de conhecerem quem são os produtores e direcionarem políticas públicas específicas para esse segmento.
As orientações decorrem de levantamento (@LEV 24/80051549) efetuado pela Diretoria de Atividades Especiais (DAE) do TCE/SC, para a avaliação das políticas públicas no âmbito da agroecologia e da produção orgânica em Santa Catarina.
"A agroecologia é uma abordagem vital para a sustentabilidade e a resiliência de comunidades. A implementação efetiva exige a colaboração dos agentes interessados, sendo fundamental para aprimorar a produção agroecológica no Estado", explica a conselheira-relatora.
A política agroecológica se insere na agenda global do desenvolvimento sustentável, integrando o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) n. 2 – Fome Zero e Agricultura Sustentável, da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, ao propor como diretrizes o combate à fome, a promoção da segurança alimentar e nutricional e o estímulo a sistemas agrícolas sustentáveis.
De forma articulada, essa política se conecta a outros dois ODS: ao n.11 – Cidades e Comunidades Sustentáveis, ao fortalecer circuitos curtos de produção e abastecimento, aproximando o campo das cidades e promovendo sistemas alimentares locais mais resilientes, inclusivos e ambientalmente responsáveis; e ao ODS n. 12 – Consumo e Produção Responsáveis, ao incentivar práticas produtivas sustentáveis, a redução de desperdícios, a valorização de alimentos saudáveis e a adoção de padrões de consumo alinhados à sustentabilidade ambiental, social e econômica.
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