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O TCE/SC aprovou planos de ação da Prefeitura de Joinville, do Hospital São José e da Secretaria de Estado após auditoria sobre a gestão hospitalar. O processo RLA 23/00477003 apontou excesso de atendimentos simples, falhas na atenção básica e problemas de custos e cirurgias. Os planos preveem melhorias no atendimento, controle e gestão. O Tribunal vai acompanhar a execução das medidas.
O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) aprovou os planos de ação apresentados pela Secretaria Municipal de Saúde de Joinville/Prefeitura Municipal de Joinville, pelo Hospital Municipal São José e pela Secretaria de Estado da Saúde. A decisão foi proferida pelo conselheiro Luiz Eduardo Cherem, relator do Processo RLA 23/00477003, em decisão singular.
A aprovação decorre de auditoria operacional realizada pelo Tribunal para avaliar a gestão do Hospital Municipal São José, com foco no atendimento de pacientes nas áreas de urgência, emergência e internação, além dos custos de manutenção da unidade hospitalar. O objetivo do trabalho foi identificar fragilidades e propor melhorias na eficiência do atendimento e na gestão dos recursos, abrangendo, inclusive, a integração com a atenção primária à saúde no município.
Os trabalhos de fiscalização resultaram inicialmente no Relatório de Instrução N. 19/2024 elaborado pela Diretoria de Atividades Especiais (DAE), posteriormente complementado pelo Relatório N. 78/2024, após a realização de contraditório e ampla defesa aos responsáveis.
O processo contou ainda com manifestação do Ministério Público de Contas (MPC), que sugeriu medidas adicionais voltadas à melhoria da eficiência do centro cirúrgico e à redução de filas de cirurgias eletivas.
Em setembro de 2025, o Tribunal Pleno apreciou o caso e, por meio da Decisão n. 1079/2025, determinou que os órgãos envolvidos apresentassem planos de ação, com prazo inicial de 60 dias, posteriormente prorrogado. Os planos foram entregues entre janeiro e fevereiro de 2026, pela Secretaria Municipal de Saúde, pelo Hospital Municipal São José e pela Secretaria de Estado da Saúde, sendo então analisados pela DAE.
A auditoria identificou deficiências relevantes na organização da rede assistencial, especialmente, excesso de atendimentos de baixa complexidade no pronto-socorro, fragilidades na atenção primária e a necessidade de revisão do plano operativo do hospital. Também foram observados a carência de maior transparência nos custos hospitalares e problemas na gestão de cirurgias eletivas.
Outro aspecto destacado diz respeito à alta demanda do hospital por moradores de Joinville (patamar de 85,71% aferido em 2022), indicando necessidade de fortalecimento da rede municipal de saúde para reduzir a pressão sobre a unidade hospitalar.
O relatório da DAE concluiu que os planos apresentados atendem aos requisitos da Resolução N. TC-0176/2021, contendo definição de ações, prazos e responsáveis. Entre as principais medidas propostas pelos órgãos, estão fortalecimento da atenção primária à saúde, reorganização do fluxo de pacientes entre unidades básicas, unidades de pronto atendimento (UPAs) e hospital e implantação de teleconsultas e telemonitoramento. Outras ações também foram citadas, como a criação de indicadores e melhoria da transparência dos custos, implantação de sistemas de gestão de custos hospitalares e revisão da Programação Pactuada e Integrada (PPI), além de melhorias na gestão e no uso das salas cirúrgicas.
A Secretaria de Estado da Saúde também indicou medidas para revisão da pactuação regional e destacou investimentos realizados no hospital, incluindo repasses financeiros e apoio à ampliação da estrutura.
Ao analisar o caso, o conselheiro Luiz Eduardo Cherem acompanhou o entendimento técnico e considerou que os planos de ação apresentados contemplam medidas adequadas para enfrentar as deficiências identificadas. Na decisão, o relator destacou que as propostas demonstram a adoção de providências concretas pelos gestores, embora a efetividade das ações dependa de verificação futura. Além de conhecer e aprovar os planos de ação apresentados, a decisão determina o monitoramento das medidas pela área técnica e o encerramento do processo, com posterior acompanhamento das ações.
Deficiências relevantes na organização da rede assistencial;
Forte demanda regional, com 85,71% dos atendimentos (2022) realizados a moradores de Joinville;
Excesso de atendimentos de baixa complexidade no pronto-socorro;
Fragilidades na atenção primária em Joinville;
Necessidade de revisão do plano operativo do hospital;
Carência de maior transparência nos custos hospitalares;
Problemas na gestão de cirurgias eletivas.
Fortalecimento da atenção primária à saúde;
Reorganização do fluxo de pacientes entre unidades básicas, UPAs e hospital;
Implantação de teleconsultas e telemonitoramento;
Criação de indicadores e melhoria da transparência dos custos;
Implantação de sistemas de gestão de custos hospitalares;
Revisão da Programação Pactuada e Integrada;
Melhorias na gestão e no uso das salas cirúrgicas;
Revisão da pactuação regional e investimentos realizados no hospital, incluindo repasses financeiros e apoio à ampliação da estrutura pela Secretaria de Estado da Saúde.
Os órgãos auditados cumpriram formalmente as exigências do Tribunal e apresentaram planos consistentes para corrigir falhas identificadas. O foco principal das melhorias está na atenção primária, na gestão hospitalar eficiente e na organização do fluxo de pacientes. Contudo, a efetividade dessas ações dependerá de acompanhamento futuro, o que motivou a determinação de monitoramento pelo Tribunal de Contas.
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