O TCE/SC assinou, por meio do presidente Herneus João de Nadal, o Acordo Interpoderes para enfrentar o feminicídio em SC, durante o seminário “Vivas e Decididas”, na Alesc, em Florianópolis, em 5/3. O pacto une Executivo, Legislativo, Judiciário, MP e TCE/SC para agir de forma integrada, priorizar prevenção, usar dados, considerar desigualdades e prestar contas em audiência pública em até 10 meses.
O Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) é um dos signatários do Acordo Interpoderes pelo Enfrentamento ao Feminicídio e à Violência contra as Mulheres em Santa Catarina. O documento foi formalizado nesta quinta-feira (5), durante o Seminário Vivas e Decididas Contra o Feminicídio, realizado no auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa (Alesc), em Florianópolis. O presidente do TCE/SC, conselheiro Herneus de Nadal, assinou o acordo em nome da Instituição.
O ato foi marcado por momentos de reflexão e grande emoção. Logo na abertura da solenidade, o telão foi tomado por nomes de dezenas de mulheres que perderam a vida no ano de 2025. Um cortejo de 52 homens atravessou o espaço, cada qual levando nas mãos um par de sapatos vermelhos, simbolizando as vítimas dos feminicídios. Entre eles, estava o presidente Herneus De Nadal. O grupo carregava à sua frente também uma faixa com a frase: “A culpa não foi delas”.
O acordo surge em um momento de alerta no estado. Nos primeiros meses do ano, Santa Catarina já registrava oito feminicídios, além de mais de 3,2 mil pedidos de medidas protetivas apenas em janeiro — média superior a 100 solicitações por dia. O documento reconhece que esses números revelam não apenas a gravidade da violência de gênero, mas também a necessidade de respostas coordenadas entre diferentes órgãos públicos.

O Acordo Interpoderes foi firmado por representantes de vários Poderes e instituições, incluindo o Governo Federal, por meio da Secretaria Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres; o Congresso Nacional; o Governo do Estado de Santa Catarina; a Alesc; o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC); o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC); e o TCE/SC.
O auditório Antonieta de Barros ficou lotado para a solenidade que marcou o lançamento do acordo, corroborado por diversas autoridades estaduais. O documento estabelece princípios e compromissos para fortalecer a atuação integrada no enfrentamento à violência contra as mulheres, com foco em ações preventivas, uso de dados e monitoramento público das iniciativas. Entre os compromissos assumidos, estão a responsabilidade compartilhada entre Estado e sociedade, a necessidade de políticas coordenadas, a prioridade para estratégias de prevenção e a atenção às desigualdades que afetam especialmente mulheres negras, periféricas, com deficiência e integrantes das diversidades.

Ao assinar o acordo, o presidente do TCE/SC, conselheiro Herneus João de Nadal, destacou o papel da Instituição no acompanhamento e fiscalização das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência de gênero. "O Tribunal de Contas, de forma institucional, procura auditar o gasto e as ações que são desenvolvidas para se evitar este grande mal perpetuado contra a mulher e a sociedade. É um evento importante da defesa das mulheres do nosso país. A violência de gênero atenta contra a dignidade."

No âmbito da sua atuação constitucional e da governança pública, o TCE/SC tem agido ativamente no enfrentamento à violência contra a mulher e na edificação das políticas públicas em vigor no Estado, como, por exemplo:
Auditorias operacionais que avaliaram as políticas, os programas e as ações de enfrentamento à violência contra as mulheres nos órgãos públicos no Estado, resultando, por exemplo, no aumento de 77% no número de delegacias especializadas até 2035 e na criação, pelo Governo do Estado, do Plano Estadual de Combate à Violência Contra a Mulher.
Auditoria coordenada com a Organização Latino-Americana e do Caribe de Entidades Fiscalizadoras Superiores (Olacefs): o TCE/SC participou de uma auditoria para avaliar a resposta dos governos com o objetivo de apontar melhorias na prevenção à violência de gênero. Participaram 12 tribunais do Brasil e instituições de 13 países.
Feminicídio: em 2019, o TCE/SC apresentou levantamento sobre o custo financeiro que o Estado e a sociedade têm em decorrência da detenção de pessoas condenadas por feminicídio. O Tribunal apresentou recomendações a Poderes e órgãos para auxiliar na elaboração de políticas públicas e contribuir para a implementação de iniciativas que reduzam os números da violência doméstica em Santa Catarina (@RLA 18/01156694).
Acompanhamento: em 2025, o TCE/SC apresentou relatório que alerta sobre o crescimento contínuo da violência contra a mulher no Estado (@RLA 22/00495301) e cobrou a apresentação de planos de ação de uma série de entidades: Governo do Estado; Secretaria da Assistência Social, Mulher e Família; Secretaria de Segurança Pública; Secretaria da Educação; Secretaria da Administração; Ministério Público de Santa Catarina; Defensoria Pública; Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça; Conselho Estadual dos Direitos da Mulher; Comitê Gestor do Observatório da Violência contra a Mulher.
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